quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Memórias de Sete lagoas - Ana Lúcia


Lembranças de

minha juventude em Sete Lagoas
Como faço parte do curso de Maturidade Ativa em Sete Lagoas, e sou natural desta linda cidade, fiquei maravilhada e ao mesmo tempo saudosa da minha juventude ao me deparar com uma linda exposição, aqui na Faculdade Cenecista projetada pelo Vereador Dalton Andrade. Essa exposição retrata Sete Lagoas nos áureos tempos de paz e tranquilidade, que ainda existia.

Lembrei-me de quando todas as mocinhas da cidade faziam o Footing, na antiga Av. Pres. Roosevelt, que era o programa dos fins de semana. Os rapazes ficavam parados na beira da calçada, e as moças andavam de braços dados pra lá e pra cá, afim de se entreolharem. Era o famoso flerte. Não se usava ir a barzinhos e baladas. Dançávamos nos Clubes Democrata, Bela Vista e Iporanga, onde havia bailes com ótimas orquestras.

Nesta rua também, meu pai possuia uma Sorveteria (POLAR) que era famosa pelo seu delicioso sorvete com doce de leite. Passava em frente todos os dias com minhas colegas da Escola Primária Sagrado Coração de Jesus, mas raramente entrava, pois nunca gostei muito de sorvete. Minhas colegas diziam que se o pai delas fosse dono de uma sorveteria, elas ficariam lá o dia inteiro. Às vezes, parávamos lá e meu pai distribuía picolé para todas. Naquela época, todo mundo conhecia o Sr. Noé da Sorveteria Polar.

Tínhamos na cidade, dois cinemas: Cine Trianon e Cine Meridiano. Às quartas-feiras, íamos à "Sessão das Moças". Na mesma rua, havia também a Radio Cultura de Sete Lagoas, onde aconteciam programas de auditório, com vários artistas da terra: Nadir Lanza, Manoelita Maria, Wilson Tanure e até Clara Nunes que começou a carreira ainda menina, aqui em Sete Lagoas.

Como eu morava na Boa Vista, sempre no horário de irmos para a escola, meu irmão e eu deparávamos com a composição férrea que ficava fazendo manobras onde tínhamos que atravessar. E como não poderíamos nos atrasar para a aula, nós pulavámos o trem no engate, o que era muito perigoso, pois o trem poderia andar e acontecer o pior. Isso mais nos divertia do que nos preocupava!

Tive uma infância maravilhosa, sempre morando no bairro Boa Vista, onde brincava com a meninada da vizinhança, fazendo encenações de filmes de aventuras que assistíamos nas matinês aos domingos. Fazíamos também peças de teatro, ensaiada pelas moças mais velhas e que apresentávamos num palco improvisado, na casa de uma vizinha.

No mês de maio, havia a famosa festa da Serra de Sta Helena. Lembro que eu não dormia a noite toda, ansiosa para levantar às três horas da manhã, para subirmos a serra a pé, com meus pais, irmãos, tias e primos. Era uma farra! Levávamos o farnel, muita comida, sucos e frutas para fazermos pic-nic na lajinha, um lugar delicioso, cheio de pedras onde corria uma agua fresca debaixo de um bambuzal.

Quando eu era bem pequena, com mais ou menos dois aninhos, minha madrinha, Carmem Dutra, me levava para a casa dela na rua Lassance Cunha, onde hoje é a loja da Oi Telefonia. Passava o dia inteiro lá. Eu era muito paparicada por todas as suas irmãs, e sempre voltava para casa de roupa nova e outros presentinhos.

Bem, vou parar por aqui! Comecei estas reminicências do meu tempo de mocinha e fui diminuindo para a época de criança e depois criancinha.

Como não me lembro dos fatos de quando era bebezinho, estou terminando aqui o relato de algumas fases da minha vida revividas através das fotografias antigas de Sete Lagoas.





Ana Lucia Santos Moura.

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