Minha infância em Sete Lagoas
Sete Lagoas tinha ruas tranquilas e calçadas com paralelepípedos, um ótimo lugar para a infância de qualquer criança. Como morava perto da estação ferroviária, nós, crianças, quando queríamos saber se o trem estava vindo, púnhamos o ouvido no trilho e escutávamos chiados e pequenos estalidos.
Logo após, constatávamos felizes a nossa escuta.
Nesta época, a cidade contava com três cinemas: o Meridiano, o Trianon , e o mais novo e moderno Cine Rivello.
As matinês aos domingos eram quase obrigatórias depois da missa na Catedral de Santo Antônio.
Quando o leão da Metro abria a boca para urrar e o condor sobrevoava a tela, parecendo que ia pousar na nossa cabeça, era a certeza que íamos assistir a um bom filme.
E, sem dúvida alguma, o filme que mais me emocionou na minha infância foi: “Marcelino Pão e Vinho”. Ainda me lembro como sai emocionada do cinema, seduzida pelos clichês melodramáticos do escritor espanhol e pela interpretação do protagonista. O menininho, Pablito Calvo, que tinha apenas cinco anos quando encarnou o personagem-título, foi premiado em Cannes, no ano do lançamento do filme.
Mesmo hoje, depois de tantos anos distantes de minha infância, é o filme que adoro rever.
A gente cresce, porém as lembranças vivem lado a lado conosco, e o que eu vivi na minha infância é difícil esquecer. Foram muitas brincadeiras, peripécias, mas hoje só restam
recordações daquele tempo que não volta mais. A minha vida era vista com olhos mais poéticos, olhos de criança. Olhos que se divertem e se encantam com as coisas simples!s Olhos que brincam de fazer histórias, de fazer memória.
Para mim, as lembranças são feitas de vida , que preenchem o meu dia a dia até hoje !
ROSÂNGELA PAULINO CÉSAR