quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Memórias de Sete Lagoas - Rosangela Paulino César

Minha infância em Sete Lagoas

Quando me mudei para Sete Lagoas, eu tinha apenas sete anos de idade. Guardo desta época somente lembranças doces. Cada recordação está gravada com carinho na minha vasta e seletiva memória.

Sete Lagoas tinha ruas tranquilas e calçadas com paralelepípedos, um ótimo lugar para a infância de qualquer criança. Como morava perto da estação ferroviária, nós, crianças, quando queríamos saber se o trem estava vindo, púnhamos o ouvido no trilho e escutávamos chiados e pequenos estalidos.

Logo após, constatávamos felizes a nossa escuta.

Nesta época, a cidade contava com três cinemas: o Meridiano, o Trianon , e o mais novo e moderno Cine Rivello.

As matinês aos domingos eram quase obrigatórias depois da missa na Catedral de Santo Antônio.

Quando o leão da Metro abria a boca para urrar e o condor sobrevoava a tela, parecendo que ia pousar na nossa cabeça, era a certeza que íamos assistir a um bom filme.

E, sem dúvida alguma, o filme que mais me emocionou na minha infância foi: “Marcelino Pão e Vinho”. Ainda me lembro como sai emocionada do cinema, seduzida pelos clichês melodramáticos do escritor espanhol e pela interpretação do protagonista. O menininho, Pablito Calvo, que tinha apenas cinco anos quando encarnou o personagem-título, foi premiado em Cannes, no ano do lançamento do filme.

Mesmo hoje, depois de tantos anos distantes de minha infância, é o filme que adoro rever.

A gente cresce, porém as lembranças vivem lado a lado conosco, e o que eu vivi na minha infância é difícil esquecer. Foram muitas brincadeiras, peripécias, mas hoje só restam

recordações daquele tempo que não volta mais. A minha vida era vista com olhos mais poéticos, olhos de criança. Olhos que se divertem e se encantam com as coisas simples!s Olhos que brincam de fazer histórias, de fazer memória.

Para mim, as lembranças são feitas de vida , que preenchem o meu dia a dia até hoje !








ROSÂNGELA PAULINO CÉSAR